Das lentes para pista!


   Ianca Loureiro - Em praticamente todos os eventos eu estou atrás das lentes enxergando todos e sentindo tudo de fora. Desta vez, eu precisava vivenciar o momento. Anos assistindo aos campeonatos da UCI, me via muitas vezes no cenário e sabia que não podia perder essa oportunidade de estrear em competições.


  Quando abriram as inscrições eu corri para me inscrever. Decidi correr pelo FXDSP e pelas Ninjas Fixed Girls. Muito receio, muitas dúvidas, mas não deixei que meu psicológico falasse mais alto que a minha vontade. Passei dias tentando não ser tomada pelos os meus próprios pensamentos ruins, mas foi na semana que antecedeu a competição que eu fiquei mais aflita. Eu procurava dormir bem, e não conseguia. Eu procurava me hidratar, e esquecia. Eu procurava treinar, e não arranjava tempo. No total foram três treinos no rolo, e fiz o que vinha na mente. Sabia que podia me machucar ou me cansar em vão, mas, eu precisava saber do meu rendimento. Num dos treinos eu alcancei minhas expectativas e ali me deu mais segurança pra correr.




   Um dia antes da prova procurei me divertir, isso incluiu montar a bike pra competição e receber a galera de Curitiba. No dia da competição, algumas questões de principiante me refletiam a mente: sapatilha nova, rodas de perfil alto, sem freio, o vento e o frio. Chegamos no velódromo em cima da hora, e o que era pra aquecer pelo menos 30 minutos foram 10 minutos. Terceira a correr e eu não tinha sentido a bike e as rodas, e só me tomava a dúvida da direção do vento. Fiz a primeira volta e percebi que havia baixado 3s (marca de 2016). Procurei ficar no rolo e me aquecer. Nervosismo não cessou e veio a dor de barriga. Na segunda e última volta rápida classificatória baixei mais 1s, ali eu já era outra pessoa. Muito feliz com meu resultado, eu e eu a minha maior adversária.


  Por mais incrível que pareceu ser me classifiquei em 4º lugar entre as 16 meninas. Me classifiquei para a Pursuit. Não acreditei, e ali eu me levantava da grama nervosa, porque tinha esfriado o corpo. Procurei me divertir um pouco, tentei não pensar muito. Das quatro baterias eu participei de três, a primeira foi dolorosa porque as pernas pareciam não estar mais ali, mas, ganhei. A segunda bateria pegou no emocional, a adversária que tanto admiro (Luiza Peixe) anos e anos na fixa e eu ali pobrezinha. Queimei com ela, queimei tudo com a Luiza e perdi. Dei minha máxima ali e foi gratificante receber o abraço dela no fim. Me joguei no chão, doía demais, ai como doía. Só vinha na mente a voz do Thiago Macarini


senão der agora, você ainda pode buscar o terceiro”.

  Como? Eu já estava entregue. Terceira e última bateria, minha tentativa de pegar o terceiro lugar já estava certa na minha cabeça: não vai dar e tudo bem, já está ótimo pra mim. Eu não aguentava mais puxar 48x13, o embalo aliviava, mas eu percebia que não conseguia mais manter. Balançava a cabeça como gesto negativo, gritava em silêncio. A segunda volta foi eterna e o apito de chegada da Karoline Coimbra foi um verdadeiro alívio. A Karoline surgiu do meu lado e trocamos umas palavras, te agradeço pela corrida - foi uma honra.



  Saí de casa sem imaginar que o 4º lugar seria tão importante pra mim. Dê o seu melhor independente de quem esteja do outro lado, pois respeitar te faz deitar a cabeça no travesseiro como se estivesse nas nuvens.


  Obrigada a todas as pessoas que gritou meu nome: Ianca, Bianca e Ianquismo. Agradeço de coração a organização, saibam que vocês fizeram tudo aquilo que eu precisava para me sentir segurança e com vontade de competir e acredito que por isso o resultado não podia ter sido outro: muitas inscritas! E que não demore muito o próximo Cycletrack III.

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