RO.LO Gang - O rolê da Lost!



   Ano passado enquanto eu (Ralff) ainda tentava sustentar o CNR (Climb Night Ride) nas noites de Quinta-Feira em São Paulo, surgia a proposta de um rolê novo no mesmo dia da semana, trocando uma ideia com o Paulo, ele me explicou que havia uma galera na "Zona Lost" (Zona leste) que estava muito afim de pedalar mas que sair da ZL e ir até o Centro pedalar no VNT (Vai na terça) e depois voltar para ZL era foda, pois nem todo mundo tem "Horário de herdeiro" a galera trabalha no dia seguinte ou tem outros compromissos pela manhã, com essa ideia em mente surgia o RO.LO Gang!


Como Começou?


Felipe Pereira - O rolê começou de uma forma inusitada, foi por causa da venda de um pé de vela e de um movimento central, nós nos conhecemos através do grupo na rede social, e foi assim que começou a nossa amizade (e a venda do pé de vela não rolou).


Começamos a conversar, e ficou claro que havia muitas pessoas andando de fixed “na leste”, mas ninguém (ou poucos) se conheciam.

  Todos nós frequentávamos roles de fixed já consolidados na cidade, porém, era complicado colar, porque, tínhamos que percorrer 30 km, algumas pessoas até 50km (ida e volta) só para participar desses rolês – e para quem vai levantar as 4h da manhã no dia seguinte é inviável.Nesse mesmo período nós também estávamos conversando com outras pessoas da zona leste via rede social, mas ainda de forma pontual. A ideia do rolê como é hoje, veio depois dessas conversas.



De onde surgiu a ideia?


   Percebemos que, dadas as dificuldades, era necessário descentralizar os roles de fixed, no começo o trabalho foi difícil, começamos a ir atrás da galera que andava de fixed uma a uma, a gente abordava e explicava como seria esse rolê. Fizemos chamadas nos grupos de fixed da rede social, criamos um grupo de mensagens e começamos a divulgar e espalhar a nossa marca por todas as zonas da cidade, começamos colando adesivos, lambes e os tanto usados “flyers”; logo depois, fizemos camisetas também.


   Era muito simples, nós seriamos um grupo de fixeiros “da ZL”, porém, todos seriam bem-vindos, qualquer bike, mano, mina ou mona. Nós criamos algumas regrinhas básicas de convivência, e assim o grupo foi crescendo exponencialmente. Já nos primeiros encontros, à medida que a galera ia se conhecendo, um viés ideológico ficava cada vez mais presente e naturalmente a gente acabou virando uma “gang de fixeiros da Zona Leste”, antifascistas e contra intolerância, promovemos um estilo de vida baseado no ciclismo.


   No mesmo período, o nome “RO.LO!”foi decido por votação. Então agora éramos o ROle da Zona LOstinicialmente, houve uma preocupação se o nome seria motivo de piadas, porém, as pessoas que hoje são os pilares do RO.LO! já começaram a “chama na voz”e foi de senso comum que esse seria o nome e acabou. Foda-se! De uma maneira harmoniosa nos tornamos um grupo de “liderança horizontal”, hoje nós temos, aproximadamente, dez pessoas que se esforçam pra manter o rolê coeso e condizente com suas ideias.


O motivo de “Zona Lost”é que porque em vários aspectos (de cunho político e social) nos sentimos esquecidos pelo poder público. Por ser uma região da cidade, predominantemente, pobre e com um IDH baixo - especialmente nos bairros mais distantes.

Como foram os primeiros encontros?


   Assim como o nome, a quinta-feira foi decida por votação. Na época, foi um dia da semana que seria favorável a grande maioria dos participantes. As primeiras quintas foi, basicamente, um passeio; se comparado ao o que é hoje. Aos poucos foram aparecendo mais pessoas e, por um evento cósmico (ou sei lá), essas pessoas tinham uma paixão em comum; a velocidade! A afinidade foi imediata e, rapidamente, os roles foram ficando cada vez mais “pegados” (pesado, se preferir) e é dessa forma que fazemos jus a nossa fama (risos).


   Por esse motivo, muitas pessoas começaram a comparecer esporadicamente ou, simplesmente, pararam de “colar”. Passamos por um período em que o RO.LO! se resumiu a uma “panelinha” só os de sempre, e as vezes, apareciam mais pessoas. Foi nessa mesma época que começamos a cada vez mais concentrar os giros na zona leste ao invés de ir a outra regiões. Isso foi motivo de muita discussão (e ainda é), nós passamos um período conturbado, mas foi através de muito diálogo e concessões que perseveramos. As pessoas compreenderam que estamos fazendo algo que amamos e não nos sentimos culpados por isso!


Não tem a ver com quem é o mais “rápido” ou o “melhor”, mas sim, o quão melhor eu posso ser, ou seja, é pessoal! Tem a ver com testar os seus limites e extrair o máximo do seu potencial.

   Basicamente é um role onde a galera curte pedalar “pra caralho”e muito rápido. E mais uma vez percebemos que era a hora de mudanças, que para sua manutenção, era necessário repensar o RO.LO!. Foi assim que surgiu os giros de segunda, a ideia foi reunir um pessoal que está a fim de começar a pedalar mais forte, mas que não se sente confortável para colar as quintas. As segundas são reservadas a um pedal um pouco mais tranquilo, pautado pelo diálogo e as vivencias. A ideia é que a medida em que as pessoas se sintam mais acostumadas com o ritmo frenético do RO.LO!, naturalmente, comecem a frequentar as quintas também.


Qual o propósito desse rolê, o que esperam atingir?


   Nós somos pessoas simples, as interações são essencialmente sensoriais, se dá pelo olhar, é pelo o que foi dito e pela postura de cada um que “cola”. Nós sabemos quem é quem, e é dessa forma que formamos cada elo dessa corrente. Contudo, não queremos autopromoção, pelo contrário, nós queremos provocar mudanças, propor novos caminhos além dos já trilhados; seja na estrada ou na cidade. Queremos Instigar as pessoas a repensar certas coisas, ter atitude, autonomia (o tal do faça você mesmo) e com isso, desconstruir as mesmas velhas opiniões (ou não, vai de cada um).


Buscamos através da arte “marginalizada pela sociedade" e através do esporte, expor a nossa visão de cidade, deixando claro para todos que, Sim! Temos mais opções, dá para fazer diferente.


Se você já tem experiência e curte testar seus limites, extrair o máximo do seu potencial, curte pedalar pra caralho e muito rápido, então quinta-feira é o dia certo para você!


Está a fim de começar a pedalar mais forte adquirir experiência e fazer um rolê “daora”, conhecer um pessoal, tomar umas brejase afins? Então segunda-feira é o dia certo para você!


Sempre na praça Silvio Romero (Segundas e Quintas), no Tatuapé, às 9h aguardamos até o último soldadx; vêah!

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